sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A qualidade da água do rio Corumbataí


O rio Corumbataí é responsável por todo o abastecimento público da cidade de Piracicaba e é motivo de preocupação devido às cargas poluidoras que recebe em seu trajeto, principalmente esgotos domésticos e industriais oriundos da cidade Analândia, Corumbataí, Rio Claro e Piracicaba.
O uso de fertilizantes e agrotóxicos nas monoculturas de cana-de-açúcar, citrus e pastagens, o manejo inadequado do solo e os desmatamentos constantes das matas ciliares acarretam impactos nos ecossistemas aquáticos.




No caso da bacia do rio Corumbataí, os principais impactos ambientais são causados pela mineração de areia, esgotos urbanos e uso do solo, ações que são responsáveis pelo enquadramento do rio Corumbataí, em alguns trechos, na classe 4, que segundo a resolução CONAMA/ 357, são rios cujas águas são destinadas exclusivamente à navegação e harmonia paisagística. Além disso, segundo a Profa. Dra. Regina Monteiro em entrevista feita para o blog “Educorumbataí”, em maio de2010, a nascente do rio Corumbataí está localizada dentro de uma fazenda de monocultura de citrus e, sendo o citrus uma cultura que necessita de grandes quantidades de produtos e elementos químicos, esses produtos são carreados para dentro do rio junto com a chuva, contaminando a água e fazendo com que o rio já seja classificado como classe 2, desde sua nascente.
O rio Corumbataí é um “corpo receptor” de esgotos domésticos e industriais. Esse despejo de efluentes leva a um aumento na concentração de metais e pesticidas na água ou no sedimento do rio. Como o custo para o tratamento de água, a fim de retirar substâncias tóxicas aos organismos, é alto, o índice de qualidade da água (IQA) do rio Corumbataí vem sendo prejudicado com o passar do tempo, quando comparados os dados obtidos pelo sistema de monitoramento da CETESB, que ocorre desde 2002.
O Rio Corumbataí nasce em Analândia e ao passar pela cidade, recebe uma grande carga de esgotos provenientes das indústrias e das residências. Entretanto, devido ao seu alto grau de depuração, o rio Corumbataí chega à cidade de Corumbataí despoluído. Isso acontece devido a quedas e corredeiras percorridas pelo rio durante seu curso, matas ciliares preservadas a alta declividade do curso do rio, que faz com que ele recupere a quantidade de oxigênio perdida por causa dos esgotos lançados.
Essa capacidade de recuperação denomina-se autodepuração e é decorrente de fatores naturais como velocidade da corrente de água, profundidade do rio, vazão e quantidade de oxigênio dissolvido . “O fenômeno da autodepuração se desenvolve no sentido de transformar os compostos orgânicos em substâncias inertes e não prejudiciais do ponto de vista ecológico”.
Fig.2. Esquema gráfico da autodepuração do rio Corumbataí








Chegando à cidade de Corumbataí, o rio encontra-se poluído com esgotos domésticos e industriais e testes laboratoriais indicam que os sedimentos nesse ponto já apresentam sinais de contaminação tóxica. Novamente durante seu curso em direção a Rio Claro, o rio consegue se despoluir, passando por matas ciliares preservadas e diminuindo seu grau de toxicidade, mas em Rio Claro, recebe além de esgotos, grande quantidade de lixo, deixando a qualidade do rio baixa e aumentando a quantidade e a concentração de elementos químicos e outras substâncias tóxicas. Para deixar a situação do rio Corumbataí ainda mais crítica, após receber o afluente Ribeirão Claro, muito poluído devido à grande quantidade de esgoto urbano de Rio Claro e Santa Gertrudes (Pólo de Cerâmica) sendo considerada “a maior carga poluidora” do rio Corumbataí.
O rio não é mais capaz de se autodepurar, após o deságüe do Ribeirão Claro, até receber o Ribeirão Passa Cinco que tem um volume de águas maior que o rio Corumbataí e com isso a poluição é amenizada. Com isso, o rio chega relativamente limpo em Piracicaba e é a principal fonte para abastecimento público da cidade. Após a retirada da água para abastecer a cidade, o rio passa pelo bairro Santa Teresinha e recebe nova carga de esgotos urbanos (domésticos e indústrias) sem tratamento e quando deságua no rio Piracicaba, carrega consigo poluição, dentre os quais, os metais pesados, que são tóxicos aos seres vivos. Há uma alta concentração de Cu, Cd, Hg e Zn no rio Piracicaba.
Devido à sua importância, vários estudos e bioensaios toxicológicos vêm sendo feitos com o intuito de avaliar a qualidade da água do rio Corumbataí. De acordo com os dados obtidos todos os pontos estudados, a montante da captação de água dos municípios de Analândia, Corumbataí, Rio Claro e Piracicaba e a jusante, após o lançamento de esgotos, o rio Corumbataí apresenta toxicidade para vários organismos.
Dados de estudo demonstram que o sedimento do rio Corumbataí possui excesso de metais pesados, como o cromo e o zinco, em todos os sete pontos amostrados, além de sua água apresentar toxicidade para organismos testes utilizados.
Exames realizados nos sedimentos, mostram que alguns metais como cádmio, alumínio, zinco, cobre, níquel, ferro e mercúrio estão com suas concentrações acima das preconizadas pelo CONAMA (Portaria 358/2008), causando efeitos nos organismos aquáticos, como fitoplâncton, zooplâncton e algas.
Os estudos na água mostram que somente próximo a foz, no município de Piracicaba, há um aumento no nível dos metais pesados, e no restante do trajeto é considerado boa1.
Em analises foi encontrado o aumento na concentração de alumínio, ferro e manganês nas águas do rio Corumbataí, com concentrações maiores que o permitido pela resolução CONAMA. Já as concentrações de cobre e zinco estão próximas às limítrofes e mercúrio está com concentração acima da estabelecida para rios classe 2 e 3.
NOTAS
1. MONTEIRO et al. 2008 apud MESSIAS, T.G. Influência da toxicidade da água e do sedimento dos rios São Joaquim e Ribeirão Claro na bacia do Corumbataí. 2008. 126p. Dissertação (Mestrado em Ciências – Área: Química na Agricultura e no Ambiente) – Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2008.
2. PALMA-SILVA, G. M.; TAUK-TORNISIELO, S.M.; PIÃO, A.C. Capacidade de autodepuração de um trecho do rio Corumbataí, SP, Brasil. Revista Holos Environment, vol. 7 nº2, p. 139-153, 2007.
3. SANTOS, M.A.P.F. Avaliação da qualidade da água e do sedimento da sub-bacia do Rio Corumbataí (SP) por meio de testes ecotoxicológicos. 2008. 186p. Tese (Doutorado em Ciências) – Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2008.
4. SETESB, 2007 apud SANTOS, op.cit.
5. GUIDOTTI, J.L.- Está na hora de cuidar do rio Corumbataí. In: Notícias - Projeto PiraCena. nº12, 20 jun. 1996. Disponível em www.cena.usp.br/piracena/html/noticias/noticia12.html?cp=s. Acesso em 13 mai. 2010.
6. SANTOS, M.A.P.F. Avaliação da qualidade da água e do sedimento da sub-bacia do Rio Corumbataí (SP) por meio de testes ecotoxicológicos. 2008. 186p. Tese (Doutorado em Ciências) – Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2008.
7. PALMA-SILVA, G. M.; TAUK-TORNISIELO, S.M.; PIÃO, A.C. Capacidade de autodepuração de um trecho do rio Corumbataí, SP, Brasil. Revista Holos Environment, vol. 7 nº2, p. 139-153, 2007.
8. SPERLING, 1983; BRANCO, 1986 apud PALMA-SILVA, G. M.; TAUK-TORNISIELO, S.M.; PIÃO, A.C. Capacidade de autodepuração de um trecho do rio Corumbataí, SP, Brasil. Revista Holos Environment, vol. 7 nº2, p. 139-153, 2007.
9. GUIDOTTI, J.L, op. cit.
10. Falótico 2000 apud TOMAZELLI, A.C. Estudo comparativo das concentrações de cádmio, chumbo e mercúrio em seis bacias hidrográficas do Estado de São Paulo. 2003. 124p. Tese (Doutorado em Ciências – Área: Biologia Comparada) – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2003.
11. SANTOS, M.A.P.F., op.cit.
12. JARDIM, G.M. Estudos ecotoxicológicos da água e do sedimento do Rio Corumbataí – SP. 2004. 126p. Dissertação (Mestrado em Ecologia de Agroecossistemas) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2004.
13. FALQUETO, M.A. Avaliação do índice de qualidade da água (IQA) e dos elementos químicos nas águas e nos sedimentos do rio Corumbataí-SP. 2008. 116p. Dissertação (Mestrado em Ecologia Aplicada) – Centro de Energia nuclear na Agricultura, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2008.
14. ZAMBETTA, P.M.A. Espécies químicas inorgânicas (Al, As, Cd, Cr, Cu, Fe, Hg, Mn, Ni, Pb, Sn) no sedimento e nos sólidos em suspensão do rio Corumbataí, SP. 2006. 73p. Dissertação (Mestrado em Ecologia de Ecossistemas) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2006.
15. MESSIAS, T.G., op.cit.
Texto escrito por Camila Lazarini Portela e Silva, (bióloga ESALQ/USP)in(Monografia desenvolvida sob orientação da Profa. Laura Alves Martirani)

3 comentários:

  1. gostaria, se possivel, que fosse mantido contato via email com nosso jornal aqui na cidade - Jornal Folha Corumbataiense - PARA QUE POSSAMOS MANTER A POPULAÇÃO E TAMBÉM AS AUTORIDADES SOBRE AS PESQUISAS REALIZADAS POR ESSA CONCEITUADA ENTIDADE.
    redacao@folhacorumbataiense.com.br
    murilo mesquita - diretor e editor
    96314621

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  2. Vão deixar passar batido, onde está a nossa reação os mais poderosos estão jogando lixo dentro de nossas bocas, e depois simplesmente desvião todo o dinheiro e vão para outro lugar como se não tivessem feito nada, e ai vai ficar barato???????

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  3. ISSO É UMA RIDÍCULA VERGONHA! INACEITÁVEL.

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