Esse vídeo foi produzido no ano de 1999 por Adriana Cardoso, Ana Maria de Meira, Fabiana Mauro e Renata Galhardo, que cursaram a disciplina "Comunicação e Educação" ministrada pela Profa. Laura Alves Martirani da ESALQ/USP.
Nessa época o lixo ainda era um assunto bastante ausente na mídia e da preocupação das pessoas de um modo geral. Uma das autoras, Ana Maria de Meira, é hoje coordenadora do Programa USP Recicla do Campus Luiz de Queiroz". Graças a pessoas como a Ana, ambientalistas convictos das mudanças sociais em prol do um mundo mais sustentável, a reciclagem hoje já é uma realidade. Há ainda muito por fazer. Mas há que se reconhecer que esses foram os primeiros passos de um longo caminho a percorrer.
O documentário "Nas águas do
Piracicaba" foi produzido como parte das atividades de pesquisa de um Projeto
Temático apoiado pelo Programa Biota da FAPESP, intitulado “Mudanças
socioambientais no estado de São Paulo e perspectivas para conservação”,
desenvolvido por docentes e pesquisadores da ESALQ e CENA/USP.
Junto a esse projeto desenvolveu-se o projeto
“Novas tecnologias da comunicação e educação ambiental na bacia hidrográfica do
rio Corumbataí” e que envolveu atividades de pesquisa ligadas ao processo de
construção do blog “Educorumbatai: uma experiência de jornalismo ambiental
universitário” e a produção do documentário “Nas águas do Piracicaba”.
O objetivo das ações foi trabalhar a
informação e a comunicação ambiental de modo a contribuir com a construção da
consciência pública para o desenvolvimento sustentável (Agenda 21, Capítulo 40,
Informação para a tomada de decisão).
Nessa etapa de
conclusão das atividades junto à FAPESP e com o intento de compartilhar esse
material estamos veiculando o produto final desse trabalho: o documentário “Nas
águas do Piracicaba”.
O material produzido, com 54 minutos de duração,
apresenta os processos de degradação ambiental dos recursos hídricos no cenário
mundial, brasileiro e, mais
detalhadamente, no contexto da região da bacia do rio Piracicaba e rio
Corumbataí, manancial que abastece atualmente a cidade de Piracicaba. O
documentário está estruturado em 9 partes:
Parte I - A água no planeta (0’59)
Parte II - Água do doce no Brasil (3’40”)
Parte III - A região de Piracicaba
(6’:37”)
Parte IV - A construção do sistema para
gestão das águas (17´:18”)
Parte V - O abastecimento em Piracicaba
(23’:28”)
Parte VI - A bacia do rio Corumbataí
(25’:27”)
Parte VII - Conservação ambiental na bacia
do rio Corumbataí (36´:07”)
Parte VIII - Instrumentos econômicos para
conservação ambiental (44’:08”)
Parte XIX - Reflexões finais (46’:41”)
Destaca-se nesse vídeo o papel da mobilização
regional no desenvolvimento de políticas públicas e pesquisas científicas,
envolvendo a análises de situação e alternativas para conservação ambiental.
Ficha Técnica
Direção:
Laura
Alves Martirani (ESALQ/USP)
Equipe:
Estela Maria de Azevedo Nery (Bolsista Progr. Ensinar com
Pesquisa, USP e Treinamento Técnico, Fapesp);
Isabela Kojin Peres (Bolsista Progr. Aprender com Extensão, USP)
Hoje será lançado o documentário “Nas águas do Piracicaba”. O evento comemorativo ocorrerá às 19:30hs. no Anfiteatro “Ademar Cervelline” do CENA/USP.
Engenho Central e rio Piracicaba, imagem do documentário "Nas águas do Piracicaba"
Para a realização desse material, que tem 54 minutos de duração, foram
realizadas 18 entrevistas junto a pesquisadores, gestores ambientais,
autoridades públicas e representantes da sociedade civil.
Garça às margens do rio Piracicaba, imagem que integra o documentário "Nas águas do Piracicaba"
O documentário apresenta os processos de degradação ambiental dos
recursos hídricos no cenário mundial, brasileiro e mais detalhadamente no contexto da região
da bacia do rio Piracicaba. Destaca-se o papel da mobilização regional no
desenvolvimento de políticas públicas e pesquisas científicas, envolvendo a
situação das águas e alternativas para conservação ambiental.
Foi produzido como parte das atividades de pesquisa sobre
“Ambiente e Sociedade” de um Projeto Temático ligado ao Programa Biota da FAPESP,
junto ao Progr. de Pós-Graduação Interunidades em Ecologia Aplicada (CENA e
ESALQ/USP), intitulado “Mudanças socioambientais no estado de São Paulo e
perspectivas para conservação”, coordenado pelo Prof. Dr. Luciano Martins Verdade.
Imagem do documentário "Nas águas do Piracicaba"
Tem 9 partes. Nas partes I e II apresenta uma introdução sobre os
crescentes processos de degradação ambiental que acometem os recursos hídricos
no cenário mundial e brasileiro e, de modo mais aprofundado (parte III), no
contexto da região da bacia do rio Piracicaba.
Nessa parte desenvolve explanação sobre o Sistema Cantareira; classificação e formas de poluição das águas;
localização e estrutura hidrológica da bacia do rio Piracicaba, resgata a
história e mobilização regional, com destaque ao processo de desenvolvimento de
políticas públicas para a gestão das águas (parte IV) formação do Consórcio e
Comitês Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). Nas partes V, VI e VII aborda
estudos e pesquisas científicas na sub-bacia do rio Corumbataí, manancial
responsável pelo abastecimento de água da população de Piracicaba (V):
qualidade e quantidade de água (parte VI), função e situação da cobertura
vegetal (VII) e alternativas para conservação (VIII). Ao término destaca as
conquistas e reflexões finais voltadas ao exercício da cidadania (IX).
Em breve postaremos o material para livre acesso dos
internautas. Fiquem ligados.
A charge foi produzida pela aluna Júlia Fidelis da disciplina de Estágio Supervisionado da Licenciatura da ESALQ/USP, a mesma aluna que produziu a ilustração do cabeçalho do blog. O desenho mostra o problema enfrentado pelas cidades em relação ao saneamento básico.
Pode-se notar que a produção de resíduos advindos do uso da água é muito maior que a capacidade dos orgãos competentes de gerenciá-los. Por isso é importante buscar alternativas para enfrentarmos essa questão que poderá futuramente afetar a distribuição de água potável para as cidades, sem esquecer de rever hábitos como o de evitar o desperdício e o descarte de poluentes.
A resenha apresenta o artigo "Presença de trialometanos na água e efeitos adversos na gravidez", de autoria da doutoranda Sônia Maria dos Santos e do professor Dr. Nelson Gouveia, ambos da Faculdade de Medicina da USP. O estudo publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia, em 2011, constata uma possível associação entre a malformação e prematuridade de bebês relacionada aos trialometanos - compostos químicos que são subprodutos da associação entre o cloro, utilizado para desinfecção da água no seu tratamento, e a matéria orgânica, geralmente presente nas águas superficiais captadas. Eles podem ser encontrados nas estações de tratamento de água e chegam às mulheres grávidas pelo consumo da água de torneira.
A pesquisa realizada no período de 1998 a 2002 abordou a população de bebês em fase de gestação de mulheres grávidas de 19 municípios da região metropolitana de São Paulo abastecidos por uma mesma estação de tratamento de água. Os dados foram obtidos de registros do Sistema de Informação de Nascidos Vivos (SINASC), do Sistema Estadual de Análise de Dados (SEDAE), da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) e do Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do Estado de São Paulo.
Nessa pesquisa, os autores partem do pressuposto que os trialometanos podem afetar o desenvolvimento do feto principalmente nos seus três primeiros meses, etapa de desenvolvimento em que está mais vulnerável a indução de agentes químicos. Eles citaram vários estudos internacionais, os quais demonstram uma associação entre a presença de trialometanos na água de abastecimento em concentrações entre 80 e 100 microgramas por litro e efeitos na saúde da população. Em Ontário, no Canadá, por exemplo, chegaram a conclusão que as mulheres expostas às concentrações de 80 microgramas por litro ou mais, apresentam um risco duas vezes maior de natimortos que as mulheres não expostas.
Nas análises, os autores observam um aumento nas concentrações de trialometanos detectados em função do tempo de armazenamento da água tratada. Quanto maior o tempo de contato entre o cloro e a matéria orgânica, maior foi a produção do composto. Também observou uma sazonalidade nos níveis presentes na água, sendo os registros mais elevados durante os períodos de maiores precipitações, o que potencializa o arraste de substâncias húmicas e fúlvicas - partes solúveis do húmus - para os rios e, consequentemente, para os reservatórios de água.
Na conclusão, os autores enfatizam a importância da cloração da água e o grande benefício à saúde humana. O cloro, em qualquer de seus compostos, é capaz de destruir e tornar inativos os organismos causadores de enfermidades e é vantajoso por sua aplicação ser simples, de baixo custo e fácil análise. Entretanto, eles ressalvam, com base nos resultados obtidos, a necessidade de uma melhor monitoração dos níveis de trialometanos presentes na água de abastecimento público. Recomendam também estudos subsequentes de forma a contribuir para uma reconsideração do nível máximo permitido no Brasil, considerado alto quando comparado aos outros países.
por: Ana Carolina C. M. Mendes, estudante de Engenharia Agronômica e Licenciatura em Ciências Agrárias, sob orientação da profa. Dra. Laura Alves Martirani.