quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Impactos da mineração de areia

     O Estado de São Paulo é o maior produtor e consumidor de areia no Brasil. É responsável por 32% da produção de agregados para construção civil do país. Na bacia do rio Corumbataí a atividade de extração de areia está representada, segundo Vieira (2005), por 36 empreendimentos ativos no cadastro do Departamento Nacional de Produção Mineral do Ministério de Minas e Energia, a maioria delas por dragagem em leito de rio (67% dos empreendimentos).
A mineração de areia é uma atividade economicamente importante ao país principalmente porque  oferece materiais para a indústria e construção civil. A areia obtida da extração pode ser usada para fundição, fabricação de vidros, silicatos, cerâmicas, construção de campos esportivos, filtragens, entre outras.
A extração ocorre, geralmente, em áreas de preservação permanente (APPs), pois é feita em locais com deposição de material sedimentar localizadas em áreas próximas de rios. Os impactos causados, sejam eles positivos ou negativos, ocorrem a nível ambiental, social e econômico.
O Código Florestal do ano de 1965 e a Resolução 302/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) determinam que as áreas de preservação permanentes (APPs) devem ficar intocadas. Porém, segundo a Resolução 369/2006 do Conama  o uso dessas áreas é permitido para atividades de interesse social, como é o caso da mineração de areia. A mineração, mesmo regulamentada, pode causar impactos ambientais, entre os quais destacam-se:
1) Destruição da mata ciliar com a instalação da mineradora;
2) Alteração dos cursos dos rios e o seu assoreamento causados pela deposição de solo no fundo do rio pela ausência da mata ciliar para segurar o solo das margens;
3)  Compactação do solo causada pela retirada da mata e o trânsito de máquinas;
4) Erosão do solo, já que o mesmo foi degradado e desprotegido com a retirada das árvores;
5) Fuga da fauna como consequência do barulho e movimentação no local;
6)  Poluição das águas e dos solos com o uso inadequado de combustíveis fósseis;
7)  Queimadas.
O maior impacto de natureza social é a transformação do local, com a consequente perda de identidade entre as pessoas e o lugar devido à poluição e perturbação na área. Apesar disso, a mineração também pode trazer efeitos socioeconômicos positivos, com a geração de empregos diretos e indiretos na região da mineradora.
Ações de gestão ambiental como aproveitamento de resíduos contribuem para o aumento da sustentabilidade do empreendimento na região. Um exemplo é a pesquisa realizada pela Escola Politécnica da USP, que propõe a utilização da argila rejeitada da extração para a produção de peças de cerâmica vermelha, como blocos estruturais e telhas (BERNARDES, 2009).
A mineração de areia, embora necessária, altera a paisagem do lugar minerado e degrada o meio ambiente, por isso, é recomendável desenvolver ações para minimizar seus impactos e restaurar a área degradada.   
                                                                                                            
Referências:
ANNIBELLI, M.B.; FILHO, C.F.M. de S. Mineração de areia e seus impactos sócio-econômico-ambientais. Dissertação (mestrado) – Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Acesso: 28 maio 2011.

ARNAUT, G.C.L.; VASCONCELOS, F.C.W.; SILVA, B.A. Mineração de areia e Meio Ambiente: impactos, políticas e legislação. Revista Reuna, v.14, n.2, p. 13-27, mai. /ago. 2009.

BERNARDES, J. Resíduo da extração de areia é aproveitado em cerâmica. Inovação Tecnológica, 2009. Acesso: 28 maio 2011.

VIEIRA, E. H. A. O licenciamento ambiental de portos de areia da Bacia do Rio Corumbataí como instrumento para a recuperação de áreas de preservação permanente. Piracicaba, 2005. 186 p. Dissertação (Mestrado) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo.
                                   

Por Rafaela Novaes de Abreu, em atividade de estágio supervisionado pela Profa. Laura Alves Martirani, apoio  Fernanda Manduca.

domingo, 4 de setembro de 2011

Vídeo: Caravana para Brasília contra o novo código florestal



O vídeo foi produzido pelos alunos Aníbal Deboni Neto, Guilherme Calabro Souza e Valéria Aparecida Godoy para a disciplina Multimeios e Comunicação da ESALQ/USP sob a orientação da profa. Laura Alves Martirani. Ele mostra um pouco do que os alunos da universidade vivenciaram em sua passagem por Brasília. na caravana contra o novo código florestal. A caravana ocorreu nos dias 6 e 7 de abril de 2011e foi organizada por lideranças ambientalistas, professores e grupo de alunos da ESALQ com o objetivo de protestar contra as mudanças propostas para o novo código florestal brasileiro.

Por Fernanda Manduca e Laura Alves Martirani

Concurso fotográfico do Consórcio PCJ



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sacolas plásticas e o descarte consciente do lixo



O vídeo foi produzido por José Antônio Júnior, Diogo Villalobos, Fábio Magro e Marina Marine para a disciplina de Multimeios e Comunicação da ESALQ/USP no ano de 2005, sob a orientação da professora Laura Alves Martirani. Tem o objetivo de conscientizar as pessoas a respeito descarte do lixo, com destaque à problemática do  uso de sacolas plásticas e suas consequências.

Dentre os argumentos utilizados no vídeo está o de que as sacolas plásticas são derivadas do petróleo e representam grande problema ambiental por serem altamente poluentes e o fato do lixo  embalado demorar muito mais tempo para se decompor. Propõe-se como alternativa o uso de latões para que se diminua o uso e consequentemente o incentivo à produção de sacolas plásticas.


Por Fernanda Manduca e Laura Alves Martirani

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Movimento contra as alterações do Código Florestal: um aprendizado de cidadania


E o poder é???
Do Povo!

E o poder é???
Do Povo!

Poder do Povo!
Poder do Povo!

Poder para o Povo!
Poder para o Povo!

Essas foram as palavras de ordem proferidas em uma passeata ocorrida na cidade de Piracicaba na quinta-feira dia 28 de abril de 2011. Um grupo, formado por ambientalistas, universitários, secundaristas saiu às ruas, em uma manifestação pacífica, contra as alterações do Código Florestal Brasileiro.
Fotos tiradas pelos manifestantes durante a concentração no Campus da USP de Piracicaba

O ato fez parte da mobilização nacional convocada pela coalização SOS Florestas. A passeata saiu em marcha de frente ao prédio central da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) e foi até o centro de Piracicaba, passando pela câmara de vereadores do município e pela praça José Bonifácio.

No momento da saída da passeata, no prédio central da ESALQ, estava ocorrendo a reunião da Congregação, na qual o tema do Código Florestal seria apresentado e discutido. Dois graduandos representantes da nossa causa puderam adentrar e participar da reunião. Lá entregaram aos professores e à direção um abaixo assinado dos estudantes com o pedido de posicionamento da instituição quanto às propostas de alteração do Código que se aprovadas irão afetar o futuro das nossas florestas e das nossas vidas.

Com essa ação, a diretoria se propôs a criar um e-mail para receber as considerações da comunidade do campus (estudantes, professores, funcionários) sobre o tema e posteriormente divulgar no site da ESALQ.A marcha se iniciou e nós, os manifestantes, cantávamos, batucávamos e dizíamos palavras de ordem. Nas ruas entregamos panfletos, conversamos e explicamos à população os motivos do nosso movimento. Nas conversas ao longo do percurso, foi possível explicitar as propostas de alteração e as consequências negativas disso. Muitas pessoas puderam nos apoiar e somar forças ao movimento.

Fotos tiradas pelos manifestantes durante a conversa com a população
O diálogo foi contagiante e nos permitiu perceber que existe interesse da sociedade pela questão ambiental.

O que falta é um tratamento mais adequado e aprofundado dos temas referentes ao funcionamento das políticas socioambientais.Ao chegar à câmara de vereadores, houve uma concentração e representantes dos diversos grupos presentes se posicionaram publicamente.

Em momentos como esse é possível reconhecer a importância da união pela defesa de uma causa, que nesse caso é ambiental, porém que ultrapassa essa esfera e desvela algo maior, a defesa pela democracia, pela participação popular e pela cidadania.
Fotos tiradas pelos manifestantes durante a concentração na câmara dos vereadores
Ainda na câmara, foi feito outro abaixo assinado para garantir o direito de participação do grupo na reunião da assembléia dos vereadores que iria ocorrer àquela noite. E assim foi feito, nessa mesma noite, na reunião dos vereadores, um estudante universitário e um membro de ONG ambiental apresentaram argumentos contrários às mudanças e ao processo de alteração do Código Florestal brasileriro.

Com isso conseguimos que uma moção de repúdio às alterações fosse feita em nome da câmara de vereadores do município de Piracicaba e destinada ao Congresso Nacional.

Fotos tiradas pelos manifestantes durante a intervenção tetral
A manifestação se encerrou, na praça José Bonifácio, no centro de Piracicaba, com uma intervenção teatral que de forma simples, didática e divertida apresentou a evolução das políticas ambientais no país.

O teatro suscitou questionamentos e deu a oportunidade aos ouvintes de refletirem sobre a questão ambiental brasileira e, principalmente, do nosso papel de atores sociais na participação dos rumos do país.


Por Maria Clara Bernardes - Integrante do Núcleo Código Florestal da ESALQ
Orientação e supervisão da Professora Laura Alves Martirani
Colaboração de Fernanda Manduca