quinta-feira, 29 de abril de 2010

Opinião: Mais catástrofes humanas. Até quando?

Nas últimas semanas, os meios de comunicação noticiaram diversas catástrofes ambientais: terremotos no Chile e China; enchentes em Salvador e mortes no Rio de Janeiro em decorrência de fortes chuvas. Mas será que ao invés de utilizarmos o termo catástrofe ambiental, não deveríamos falar em catástrofe humana?

Se analisarmos bem, toda essa retaliação da natureza (termo que prefiro usar para os fatos) é resposta às agressões humana ao ambiente. Infelizmente os mais prejudicados são os moradores mal instalados, seja em morros, à margem de rios ou os que vivem na periferia, à qual o poder público negligencia. Mas parece que essas conseqüências não são mais privilégios apenas de grupos restritos. Toda a cidade pára. O caos é instaurado. As fábricas param, os empregados ficam impossibilitados de saírem do trabalho, o trânsito nas ruas fica estagnado e a população fica a mercê do tempo.

Pesquisadores da década de cinqüenta já alertavam o caos que o consumo demasiado, o desmatamento e a exploração dos recursos naturais causariam à humanidade. E pelo que se observa no cenário mundial parece que a tendência é que mais retaliações da natureza aconteçam, pois o consumo e exploração natural no mundo é aumentar e quebrar recordes.

O que se esperar dessa catástrofe humana para os próximos anos? Terremotos, deslizamentos, tsunamis? Ainda é incerta a forma como a natureza pode surpreender os evoluídos “sappiens”, mas voltaremos sempre à prolixidade: reciclem o lixo, economizem luz e energia, atenção na hora das compras, não utilize embalagem plástica... e uma infinidade de outras recomendações.

É preciso mais!

Por Marcio Oliveira

sexta-feira, 26 de março de 2010

Charge "Água à Vista"



A charge foi produzida no ano de 2009 por alunos da disciplina Multimeios e Comunicação da ESALQ/USP: Caetano Massato Norichika, Elisa Sakamoto e Heitor Pecorari. Ela retrata de forma cômica um contraste entre o que os seres humanos buscavam a 500 anos atrás e o que provavelmente, segundo seus idealizadores, irão buscar daqui a 500 anos. Por isso devemos conservar aquilo que mais precisaremos para o amanhã.


Por Rodrigo Hartkoff, estagiário do Projeto e graduando do Curso de Engenharia Florestal da ESALQ/USP



quinta-feira, 18 de março de 2010

Fanzines em versão digital

Em continuidade ao Projeto “Novas Tecnologias da Comunicação e Educação Ambiental na bacia Hidrográfica do rio Corumbataí” foram realizadas as oficinas de educomunicação socioambiental nos municípios de Corumbataí e Rio Claro em 2009.
Os alunos participantes das oficinas da Escola Municipal de Ensino Fundamental “Maria de Lourdes Pedroso Perin” (Corumbataí) e da Escola Estadual “João Baptista Negrão Filho” (Rio Claro) escolheram a produção de um fanzine para organizar o material trabalhado durante as atividades.
Sabendo das limitações de acesso ao material de uma produção impressa em poucos exemplares (cerca de 50 em cada escola) e visando estimular o acesso a esses materiais a equipe do projeto decidiu transformar os fanzines em material digital veiculado no blog “Educorumbatai”.Vocês podem ter acesso a eles nesta matéria.Deixem opiniões, sugestões e críticas.
Este ano o projeto continua e as oficinas se iniciarão no município de Piracicaba ainda no mês de março. Agradeço as escolas participantes pela parceria e espero que esta continue através deste blog.




segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Meio Ambiente e saúde: estudos sobre a produção de hormônios no organismo humano

Na década de 90 um filme documentário intitulado ”Agressão ao Homem: o futuro roubado” (LYNCH, 1993) produzido pela televisão inglesa BBC, em 1993, apresentou uma série de pesquisas realizadas, em diversos países do mundo, relacionando a ingestão de substâncias que mimetizam estrogênios (um tipo de hormônio) a diversas doenças, como o câncer de mama, diminuição da fertilidade e problemas no sistema reprodutivo de diversos animais, inclusive de mamíferos.





  Os estrogênios são hormônios responsáveis pelo aparecimento das características sexuais secundárias femininas. Estão presentes em homens e mulheres, sendo que, quando em grande quantidade, podem causar efeitos adversos. Diversos produtos químicos produzidos sinteticamente pelo homem, quando ingeridos podem atuar como estrogênios femininos no organismo e causar danos à saúde. Exemplos são: DDT (Dicloro-Difenil-Tricloroetano), DDE (2,2-bis-p-clorofenil-1,1-dicloroetileno), Kelthane, Heptachlor, Fenol, BHA (butil-hidroxi-anisol), e PCBS (Bifenil policlorado), incluindo os agrotóxicos e os poluentes (BILA & DEZOTTI, 2007; CADBURY, 1993).

  No documentário, os pesquisadores relatam experimentos que demonstram o efeito dessas substâncias em animais, como camundongos, jacarés e peixes. O Dr. Richard Sharpe da Unidade de Biologia Reprodutiva de Edimburgo (Escócia) e o Prof. Niels Skakkebaek do Departamento de Crescimento e Reprodução do Hospital Universitário de Copenhagem (Dinamarca) descobriram que existia uma relação entre diversas doenças que estavam se tornando comum em meninos, como a não descida do testículo, a feminilização do trato reprodutivo e a má formação da uretra, com a exposição excessiva a hormônios femininos. Na mesma época, a Dra. Ana Soto do Departamento de Biologia Celular da “Tufts University School of Medicine” de Massachusetts (EUA) constatou que o nonifenol, um produto amplamente utilizado nos anos 40, também mimetizava o estrogênio e causava a proliferação de células de câncer de mama.

  Segundo artigo publicado no site Terra (VLAHOU, 2008), um estudo recente, realizado em 2008 por Fabrizio Menchini Fabris da Universidade de Pisa (Itália) observou queda do número de espermatozóides em homens expostos a poluição. Segundo ele, homens que vivem em grandes centros urbanos ou áreas poluídas possuem um número menor de espermatozóides do que aqueles que vivem em áreas menos poluídas. Um outro estudo semelhante já havia sido realizado e mostrado no documentário pelo Prof. Niels Skakkebaek, que ao estudar amostras de sêmen de homens jovens, percebeu que mais de 50% de seus espermatozóides apresentavam alguma anormalidade. Observou também que o número e mobilidade dos espermatozóides do grupo apresentava considerável redução em relação a homens estudados 20 anos antes.


  A exposição a estas substâncias está por toda parte. Um exemplo disso é o Bisfenol A, uma substância que está presente no revestimento interno da maioria dos enlatados e diversos plásticos, incluindo os de algumas mamadeiras. Com essa substância foi feito um experimento expondo ratas grávidas a doses mínimas, conjuntamente com ftalatos (também presente em diversos produtos, como roupas, cosméticos, detergentes e brinquedos), causando o nascimento de machos com testículos até 15% menores e com 20% a menos de sêmen. Ambas as substâncias ainda são utilizados no Brasil, sem proibição, pois a FDA (Food and Drug Administration), agência que regula produtos alimentícios e farmacêuticos, alega que ela não está presente em quantidades alarmantes e é rapidamente metabolizada, não apresentando riscos a saúde. Porém, em alguns lugares, como no Canadá e no Estado da Califórnia (EUA), este produto já é proibido (FORESTI, 2009).

  Como se pode observar a exposição a essas substâncias é praticamente inevitável. Ela pode ocorrer através do contato direto no local de trabalho ou em casa, ou indireto, através da ingestão de água ou alimentos contaminados. A contaminação indireta por alimentos pode ocorrer através da ingestão da carne de animais que ingeriram esses hormônios ou da ingestão de vegetais nos quais tenham sido aplicados pesticidas. Elas também podem ser encontradas em diversos tipos de plásticos, lodo biológico de estações de tratamento de efluentes e em chorumes de aterros sanitários.
Existe a necessidade de se desenvolver novas pesquisas sobre o assunto, propor tecnologias alternativas, elaborar recomendações para fabricação de produtos e viabilizar o tratamento de água para retirada desses tipos de substâncias da água que consumimos, processo esse de altíssimo custo.


BIBLIOGRAFIA:
 BILA, D.M. & DEZOTTI, M. Desreguladores endócrinos no meio ambiente: efeitos e conseqüências. Quím. Nova, Vol.30, No. 3, 651-666, 2007.


CADBURY, D. Assault On Male. Inglaterra: BBC Horizon, 1993 (50 min.). Acesso 14 dez. 2009.


FORESTI, T. Mamadeira de plástico faz mal? Revista Crescer. Acesso em 05 de novembro 2009.


GEROLIN, E.R.R., ISAAC, R.L. & EBERLIM, M. Ocorrência de agentes químicos estrogênicos naturais: estriol e 17β-estradiol, sintético 17α etinilestradiol e xenooestrogênico nonifenol nos mananciais e águas de abastecimento da bacia do Rio Atibaia, Campinas e Sumaré-SP.

NUNES, M.V. & TAJARA, E.H. Efeitos tardios dos praguicidas organoclorados no homem. Rev. Saúde Pública, 32(4): 372-382. 1998. Acesso em: 29 outubro 2009.


RAIMUNDO, C.C.M. Ocorrência de interferentes endócrinos e produtos farmacêuticos nas águas superficiais da bacia do rio Atibaia. Dissertação de mestrado. Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Química. 2007.

VLAHOU, A. Estudo: poluição reduz número de espermatozóides. Terra Notícias, mar. 2008. Disponível em: . Acesso em: 29 out. 2009.




Por Myldred Ometto Spinelli, graduanda do Curso de Ciências Biológicas da ESALQ/USP, sob orientação da Profa. Laura Alves Martirani durante a realização de Estágio Supervisionado do Programa de Licenciatura da ESALQ/USP.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Oficinas continuam, agora em Rio Claro!

   Na tarde da última segunda-feira, 7 de dezembro, os alunos da 6a série da Escola Estadual “João Baptista Negrão Filho”, no município de Rio Claro-SP, participaram da Oficina de Educomunicação Socioambiental que é desenvolvido nas cidades por onde passa o Rio Corumbataí. As atividades são parte do Projeto “Novas Tecnologias da Comunicação e Educação Ambiental na bacia Hidrográfica do rio Corumbataí, junto ao qual a mestranda Vivian Battaini desenvolve sua dissertação de mestrado e que visa possibilitar a estes estudantes um olhar diferenciado para o Rio Corumbataí, aprender mais sobre ele para disseminar entre vizinhos, familiares e amigos, a necessidade de conservá-lo e a importância dele para toda a população.


   Após cinco semanas de atividades os alunos puderam aprender sobre os ecossistemas locais, em especial o Rio Corumbataí, e a necessidade de preservá-lo; analisaram os meios de comunicação para compreender como o ambiente é trabalhado pelos diferentes meios impressos e a necessidade de criar espaços de comunicação para o exercício da cidadania; realizaram saída de campo, na qual aprenderam mais participativamente sobre a fauna, flora, a qualidade da água da região e aplicaram questionários junto aos moradores ribeirinhos sobre a percepção deles sobre o Corumbataí. Além disso, discutiram como seria o município de seus sonhos e como cada um pode contribuir para que isso se torne real.
Para a pesquisadora e responsável pelas oficinas, Vivian Battaini, “essa dinâmica em trabalhar o ambiente, não apenas atentando aos problemas do Rio, mas interligando-os a realidade social, a contribuição da população, e até mesmo midiática, possibilita um olhar mais crítico dos alunos sobre a sociedade”.


   Uma parceria foi feita com o Diário de Rio Claro, a escola e a pesquisadora, que possibilitou que os trabalhos realizados na escola ocupassem manchete na capa do jornal e quase uma página inteira de matéria sobre a saída de campo e a proposta do trabalho. “Essas parcerias só vem a somar em nosso trabalho, pois a alegria dos alunos em ver suas fotos na capa do jornal dispensa qualquer comentário e nos dá a certeza de que mais trabalhos como esses devem ser realizados e pensados nas escolas, de forma que o aluno acredite naquilo que ele faz, mas o principal envolva-se com a escola e não apenas vá para a escola”, concluiu Vivian.


   Na oficina os alunos aprenderam, com a ajuda do Jornalista do Diário de Rio Claro, Adriel Arvolea, como produzir um texto e com todo material das oficinas anteriores – fotos, desenhos, textos, poesia e músicas – elaboraram um fanzine. No material eles traduzem suas experiências e conhecimentos adquiridos na oficina, que ficará para sempre guardado na mente deles e nas folhas que compõem o fanzine.



Por Marcio Oliveira, jornalista e mestrando do Programa de Ecologia Aplicada (Cena e Esalq/USP)