sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Elementos tóxicos e contaminação ambiental

Desde o início da humanidade, os homens extraem da natureza, substâncias que lhe são úteis e descartam o que não precisam nos corpos d’água1. A poluição, que gera como resíduos os metais pesados data da época em que os primeiros hominídeos descobriram o fogo e essa queima resultou em uma alteração nos níveis de metais na atmosfera2. Hipócrates em 370 a.C. relatou cólicas em um homem que trabalhava com extração de metais e Plínio3, o Velho (23 – 79 a.C.) descreve envenenamentos por arsênio e mercúrio.

Isso mostra que o problema da toxicidade dos metais não é recente e se agravou, com a mineração em busca de metais de importância econômica que começou no Império Romano e outros impérios e com a Revolução Industrial no século XVIII. Mas só foi dada a atenção devida ao fato da toxicidade dos metais na década de 50, após o acidente de Minamata, no Japão, em 1956, ocasião em que peixes e pessoas foram contaminados com mercúrio, causando lesões neurológicas e mortes. Outro fato que mereceu destaque foi o acidente de Itai-Itai em 1947, onde ocorreram indícios de contaminação por cádmio4 devido à poluição da água usada para irrigar as culturas de arroz. As pessoas apresentaram dores pelo corpo, danos renais e fragilidade óssea5.


Fig.1 Fontes de contaminação por elementos químicos nos corpos hídricos6

Elementos químicos ou metais pesados são aqueles metais que possuem alta densidade, persistem no ambiente, se acumulam nos organismos e se relacionam a problemas de toxicidade e poluição. As fontes dos metais podem ser naturais com a erosão de rochas e atividade vulcânica e artificiais, como o uso de agrotóxicos nas plantações, lançamento de esgotos domésticos e industriais7.

Os metais podem ocorrer naturalmente no solo, como cobre (Cu), zinco (Zn), cobalto (Co), magnésio (Mg), ferro (Fe) e níquel (Ni), substâncias essenciais em baixas concentrações principalmente relacionados com a nutrição dos vegetais, mas tóxicos quando em altas concentrações. Outros metais como o cádmio (Cd), chumbo (Pb), arsênio (As), mercúrio (Hg), cromo (Cr) selênio (Se) e urânio (U) são considerados tóxicos pois têm efeitos deletérios8 e não têm função biológica conhecida9.
NOTAS
1 Messias, 2008
2 Nriagu, 1996; citado por Tomazelli, 2003
3 Pascalicchio, 2002
4 Zagatto e Bertoletti, 2006; citado por Santos, 2008
5 Brasil, 2005
6 Adaptado de: www.metal-heavymetal.blogspot.com/2007/05/os-metais-esados-so-componentes.html
7 Zambetta, 2006
8 Pereira, 2008
9 Esteves, 1998; citado por FALQUETO, 2008

BIBLIOGRAFIA
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Programa de Educomunicação Socioambiental. Série Documentos Técnicos 2. Brasília: Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental, 2005. Disponível em: http://www.daep.com.br/coletivos/adm/download/dt_2_programa_educomunicacao_socio ambiental_4a_versao_maio_final.pdf. Acesso 20 mai. 2010.

FALQUETO, M.A. Avaliação do índice de qualidade da água (IQA) e dos elementos químicos nas águas e nos sedimentos do rio Corumbataí-SP. 2008. 116p. Dissertação (Mestrado em Ecologia Aplicada) – Centro de Energia nuclear na Agricultura, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2008.

MESSIAS, T.G. Influência da toxicidade da água e do sedimento dos rios São Joaquim e Ribeirão Claro na bacia do Corumbataí. 2008. 126p. Dissertação (Mestrado em Ciências – Área: Química na Agricultura e no Ambiente) – Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2008.

PASCALICCHIO, A.A.E. Contaminação por metais pesados – Saúde Pública eMedicina Ortomolecular. 132p. Editora Annablume. São Paulo, 2002. Disponível em www.books.google.com.br. Acesso em 19 mai. 2010.

PEREIRA, P.A.A. Estudo das alterações no sistema reprodutor de camundongos expostos a contaminação ambiental. 2008. 90p. Tese (Doutorado em Ciências – Área: Patologia) – Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

SANTOS, M.A.P.F. Avaliação da qualidade da água e do sedimento da subbacia do Rio Corumbataí (SP) por meio de testes ecotoxicológicos. 2008. 186p. Tese (Doutorado em Ciências) – Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2008.

TOMAZELLI, A.C. Estudo comparativo das concentrações de cádmio, chumbo e mercúrio em seis bacias hidrográficas do Estado de São Paulo. 2003. 124p. Tese (Doutorado em Ciências – Área: Biologia Comparada) – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de SãoPaulo, Ribeirão Preto, 2003.

ZAMBETTA, P.M.A. Espécies químicas inorgânicas (Al, As, Cd, Cr, Cu, Fe, Hg, Mn, Ni, Pb, Sn) no sedimento e nos sólidos em suspensão do rio Corumbataí, SP. 2006. 73p. Dissertação (Mestrado em Ecologia de Ecossistemas) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2006.



Texto escrito por Camila Lazarini Portela e Silva, (bióloga ESALQ/USP) in (Monografia desenvolvida sob orientação da Profa. Laura Alves Martirani)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Oficinas em Corumbataí

Os alunos da 7ª E da EE. Catharina Casale Padovani, que participaram das oficinas ligadas ao projeto ““Educomunicação Socioambiental na bacia hidrográfica do rio Corumbataí”, fizeram uma paródia ambiental da música “Quando ela souber”. 
Olhem só a letra:
 Preste atenção no que eu vou dizer
 No que eu vou falar
 Fiquei ai ligado pra o rio você ajudar
 Começo a falar da poluição
 Por isso colabore e o rio ajudarão
 Não fique ai sentado vendo tudo acontecer
 Pare pra pensar, agir e resolver 
Esse assunto não é brincadeira não 
Por isso colabore e preste bem atenção
 Toda sua família você tem que avisar que o rio precisa de mata ciliar
 Lugar de lixo não é no rio não, isso é conscientização
 Águas de qualidade todos querem ter 
Colabore para isso acontecer 
Um rio mais limpo todos terão, sem nenhum rastro de poluição.





Talvez o mundo ainda tenha esperança... Se vocês tivessem visto o crescimento desses meninos, iriam ter esperança como eu.



Por Isabela Kojin Peres, estudante do curso de Gestão Ambiental da ESALQ/USP e estagiária do Projeto.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Exposição “Conscientização no rio Corumbataí”

  No dia 21 de junho de 2010 os alunos da 7E da E.E. Catharina Casale Padovani organizaram a exposição “Conscientização no rio Corumbataí”. A exposição foi montada em uma sala da escola. Durante o dia grupos de alunos da 7E receberam as demais salas da escola e das 17h30 as 18h30 a comunidade foi convidada.



  Os alunos se organizaram e montaram uma “palestra” além da exposição. Os convidados puderam aprender um pouco sobre o nome da oficina (“Educomunicação socioambiental na bacia hidrográfica do rio Corumbataí"), conceito de Bacia hidrográfica, Usos do solo na Bacia do rio Corumbataí e suas implicações, onde nasce e por onde passa o rio Corumbataí, abastecimento de água em Piracicaba e fauna, flora e condições da água do trecho do rio Corumbataí do entorno da escola visitado pela sala durante a saída de campo.


  Foi um dia de muito aprendizado no qual muitos conceitos trabalhados durante a oficina foram esclarecidos e os alunos trabalharam a cooperação, respeito, autonomia e trabalho em grupo.





  Parabéns alunos da 7E! O trabalho foi muito elogiado por todos que puderam comparecer no dia.

Jornalistas mirins em atividade em Analândia

No dia 18 de junho de 2010 os alunos da 6C da EMEIF Professor Zezé Salles do município de Analândia realizaram uma saída de campo para o rio Corumbataí. Esta atividade faz parte da “Oficina de Educomunicação socioambiental na bacia hidrográfica do rio Corumbataí” realizada no mês de junho na escola.
Durante esta atividade os alunos trabalharam como “jornalistas mirins”. Para tanto antes da saída de campo, em sala de aula, os alunos levantaram pautas para escrever matérias para o jornal “Amigos da natureza”.


Durante a saída de campo apuraram os dados e realizaram registros fotográficos.
Posteriormente escreveram as matérias e revisaram as mesmas.
Finalizando as coordenadoras das oficinas, Vivian e Isabela, editaram e digitaram os textos que posteriormente foram diagramados com a ajuda dos alunos.

O jornal “Amigos da natureza” ganhou uma versão digital que pode ser visualizada neste mesmo blog.


Parabéns 6C da Escola Zezé Salles pelo trabalho desenvolvido. Deixem suas opiniões e sugestões neste blog.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Declaração Universal dos Direitos da Água





Em 22 de março de 1992 a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o "Dia Mundial da Água", publicando um documento intitulado "Declaração Universal dos Direitos da Água". Eis o texto que vale uma reflexão.

1. A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos. 2. A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida e de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceder como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Art. 3º de Declaração Universal dos Direitos Humanos. 3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo a água deve ser manipulada com racionalidade, preocupação e parcimônia. 4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e dos seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente, para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos por onde os ciclos começam. 5. A água não é somente uma herança dos nossos predecessores, ela é sobretudo um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do Homem para as gerações presentes e futuras. 6. A água não é uma doação gratuita da natureza, ela tem um valor econômico: é preciso saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

7. A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento, para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração de qualidade das reservas atualmente disponíveis.

8. A utilização da água implica o respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo o homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo Homem nem pelo Estado. 9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social. 10. O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

O vídeo a seguir mostra esta mesma leitura, porém com suas imagens e música, nos remete ao verdadeiro significado da Declaração Universal dos Direitos da Água. Ele foi produzido em 2009, pelo aluno Caetano Massato Norichika, estagiário do Projeto.